quinta-feira, 13 de outubro de 2011

MOMENTOS… (ENTRE QUINTA E SEXTA -2011/10/13) Do livro :( a editar) "ENTRE O ANTO E O ACANTO"

MOMENTOS...

I
Por muito que o escrever me seja assíduo
Se para breves tréguas, eis que  pauso,
De pronto certa dúvida, em mim causo:
Se validar ou não, banal resíduo…

E se crer ou não ser digno de aplauso
O extremista pensar dum indivíduo…
II
O temer, que o absurdo não esbarre
Neste estro meu – deveras específico
Anseio que - mais grave ou mais pacífico
Jamais ninguém por seu, o afirme e narre…

P'ra além de ter um medo dolorífico
Que o cinismo na  musa minha, escarre…


2010

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

RETRATOS A NU - Do livro: (a editar) "ENTRE O ANTO E O ACANTO"


RETRATOS A NU


Meus versos, são imagens, são retratos
Desta minha alma, neles posta, nua;
Toda viva emoção, real e crua
Com valores concretos e abstractos.

E sem ter pejos falsos ou baratos
Se acaso na quimera, ela flutua
É vê-la uma criança, que ora amua
Ora com a coragem, faz contratos.

Alma que vai crescendo, ante lições
E mais de suas próprias deceções
Que de esplendores, risos e sucessos;

E da condição sua, o mote glosa
Inteira, nua e crua, (eis como posa)
Sem receio de expor os seus avessos.


1997

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CHAMEI PELA PROVIDÊNCIA - ( O POEMA DA SEMANA -2011/10/10) Do livro : ( já editado) " ESTRO DE MULHER"

CHAMEI PELA PROVIDÊNCIA


Dispus-me a olhar o mundo, ao redor,
E grande tristeza me assolou,
Por ver tanto mal em evidência;
Minha alma, toda ela se enlutou;
E então, chamei pela providência!

Vi pobres, sem terem pão nos lares,
E com filhos, ano-a-ano a surgir;
(Sem cama, pernoitando no chão)
Logo, pedi ao céu p’ra intervir,
Rezando, com fé, minha oração!

Pus os olhos no século vinte,
E vi tanta fraqueza, em rapazes,
E tantas meninas a se entregarem…
Que pedi ao céu, forças capazes,
P’ra eles, sua vida mudarem…

Vi tanta discórdia, em nações…
Irmão, sendo inimigo de irmão;
(Ante guerra fria, sangue quente)
Por isso e com toda a devoção,
Rezei, para não morrer mais gente…

Olhei doença, flagelo, mal,
Pensei nos acidentes de estrada,
E em tanto azar e pesar profundo,
Que roguei ao céu, (esperançada)
Para acabar com a dor no mundo!

Mirei prados, pomares e vinhas,
Neles, tudo a chuva destruindo,
Me causando um dó de consciência…
E (ante a esp’rança me invadindo)
Então, chamei pela providência!...

Cem vezes mais, lhe fiz chamamento,
Fazendo da minha fé, aposta,
Para tantos males, do irmão meu;
Mas, no silêncio, achei a resposta:
– Até Deus, que é Deus… também sofreu!!!
1970

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

QUANDO HORAS-A-FIO, EM VOZ ACTIVA - ( ENTRE QUINTA E SEXTA- 2011/09/06) Do livro : (a editar)"ENTRE O ANTO E O ACANTO"


QUANDO HORAS-A-FIO, EM VOZ ACTIVA


Por vezes faço à alma, a oferenda
De horas-a-fio, pôr-me em voz activa,
 Em solitária recita inventiva
E em que apenas meu estro, a bem acenda!

Sou assim mesmo – já não tenho emenda
Usto de alma e mente em paz acertiva;
E só com a garganta em carne-viva
Pausaria – e com auto-reprimenda…

Um virtual supor; indicativo
Dum bem, dado em abuso e assim nocivo,
Dum sabor, transformado em dissabor…

Menos mal, como hipóteses apenas;
E as horas que dispendo em cantilenas,
São-me  de afinação, atos de amor!

                                                                          2009

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

MEDITAÇÃO - (O POEMA DA SEMANA 2011/10/03) Do livro: "ESTRO DE MULHER"

MEDITAÇÃO

Não tenhas medo do mundo
Sai para fora mortal conquícola
E no que contigo, mexe bem fundo
Põe o teu olhar então estendido…
Agarra, em tuas mãos, folhas de papel
Agita-as bem perto de teu ouvido
Deleita-te, com seu ataráxico ruído!
Inventa palavras ideais!
Faz delas horizontes triunfais,
P’ra esses folhas vazias, sem sentido!

É vápido, esse teu prazer de vegetar…
Ócio miasmático, simplesmente…
Apanha ar, rasteja e aprende a galopar!

Sai da concha, por favor!
Ela te ensurdece e emudece;
Destrói “muro” de interior p’ra exterior…
Olha a verve que te espera, aflita!
Vibra, com cada gota de água,
Partícula a partícula!
Clama, canta, chora, grita,
Ou delambe-te, oh caracol,
– Ante a cor gema de ovo do sol –
Mas escreve, mortal conquícola!

1989