Eis o meu segundo blogue, iniciado em janeiro, do ano de 2011 - para terminar em janeiro do ano que vem; portanto ao ano de atividade.É feito (sensivelmente) nos mesmos moldes desse meu outro - Samy-art - com poesia, pintura, escultura, artesanato, entre outras coisas; no entanto com a sua própria personalidade, marcando em certas coisas a diferença e onde cada dia que passa a inserção do fator surpresa, tem em mim forte carga intuitiva.Obrigada. A autora
sábado, 9 de julho de 2011
DO QUIOSQUE AO CAFÉ DO CENTRO - Do livro: "RELANCES DUM OLHAR"
DO QUIOSQUE AO CAFÉ DO CENTRO
E com o seu sorriso,de bons dentes,
Além de algumas graças pertinentes
E co'o jornal, debaixo de um seu braço.
Dá-mo, que para isso, anda um só passo,
E sabe-me antes de outros mais clientes;
Entrego o que é desporto, a impacientes,
E do Álvaro oiço novas, nesse espaço.
Co' um Porto, ele faria um grão-festim,
Porém só lhe dão bola de Berlim,
Que qualquer "mata-bicho", lhe faz mal;
E com o bolo, lá vai de abalada
Entregá-lo a irmã sua, acamada,
O ganho, dessa entrega do jornal.
2002
quinta-feira, 7 de julho de 2011
A SARDINHA VIVINHA, DA MARIA MOUTA - (ENTRE QUINTA E SEXTA- 2011/07/07) Do livro: "RELANCES DUM OLHAR"

A SARDINHA VIVINHA DA MARIA MOUTA
Quem quer comprar sardinha, tão vivinha
Vinda da nossa costa portuguesa?
Isto é mesmo um regalo em qualquer mesa.
Olhem que direitinha – que tesinha.
Nenhuma moída, é toda sãzinha,
Cá sempre é bem servida, uma freguesa;
Feire comigo, que eu por gentileza,
Dou-lhe uma a mais e farta a barriguinha.
É a Maria Mouta, a sardinheira,
E aquela a quem eu compro à quarta-feira,
Sardinha da grandinha, p'ra fritar;
E após nela passar farinha milha,
É frita; e há vinho e broa-maravilha
Sem o “malandro arroz”, poder faltar!
quarta-feira, 6 de julho de 2011
O JÚLIO CIGANO Do livro: "RELANCES DUM OLHAR"
O JÚLIO CIGANO
Não sei se tem família ou onde mora,
Vejoo no mercado e à entrada;
Respeitador, com toda a que é casada,
Vendo solteira moça, não ignora.
Quer que a ajude a levarcoisas embora?
– Diz-me quando me topa carregada –
Não senhor - respondo eu - muito obrigada
E lá sigo co’as compras, rua fora.
E assim de manhã, ei-lo sorridente,
Para sentir-se mais vivo e mais presente,
Para ter um bom começo do dia;
E na fuga á rotina, então é vê-lo,
Engraxar e a flanela usar com zelo,
Motivando o calçado, à melodia!
1996
Não sei se tem família ou onde mora,
Vejoo no mercado e à entrada;
Respeitador, com toda a que é casada,
Vendo solteira moça, não ignora.
Quer que a ajude a levarcoisas embora?
– Diz-me quando me topa carregada –
Não senhor - respondo eu - muito obrigada
E lá sigo co’as compras, rua fora.
E assim de manhã, ei-lo sorridente,
Para sentir-se mais vivo e mais presente,
Para ter um bom começo do dia;
E na fuga á rotina, então é vê-lo,
Engraxar e a flanela usar com zelo,
Motivando o calçado, à melodia!
1996
segunda-feira, 4 de julho de 2011
NOVIDADES AO EMIGRANTE - (O POEMA DA SEMANA - 2011/07/04) - Do livro: (a editar)"DÁ RÚSTICA MUSA, QUE PASSA"

NOVIDADES AO EMIGRANTE
Olha emigrante, olha a nossa terra à tua volta.
Parece estar cada vez mais moça, não é verdade?
Ela que já foi uma vila, e hoje é uma cidade,
Uma cidade airosa, hospitaleira e desenvolta!
Vê como parques e avenidas, continuam viçosos,
Neles ajoelhando homens, são jeito de oração,
Mondando relva e novidades, co’a arte de sua mão,
Quer isolados, quer em grupos, coniventes e vaidosos.
– Pacientes e hábeis artesãos, expandindo sua veia,
Agarrando-se à Natureza, como artista a tela,
Caprichando em manterem, nossa terra, bela,
Dando-lhe o que bem merece: encantos de aldeia –
Olha-os também os “miasmas” da cidade, retirando,
Aspirando ou varrendo-os com a mesma paciência,
– Mandados pela voz do dever e da sua consciência –
Empenhados e recurvados, a seu labor se entregando.
Olha novos prédios, bancos, lojas e supermercados,
– Que tais eclosões são p’ra ti, outra minha novidade –
Imagina amigo, quantos sonhos até toda esta realidade,
E também quantas caras novas, nestes imotos acabados!
Olha acolá – antes do cruzamento – dá uma olhada
Dá emigrante, que te deliciará, tal contemplação,
Os volantes, já não topam, à sua frente, um rubicão,
Foi abatido, dando lugar a mais um troço de estrada.
Atenta em cada máquina, seu ruído e trepidação,
Obedecendo a mãos e cérebros de grande vontade;
Vê camiões e mais camiões pelas ruas da nossa cidade
Ora com entulhos, ora com materiais de construção
Vê atlantes agarrados a materiais com galhardia,
Tijolos sobre tijolos, pedras sobre pedras, ajustando
Ou com argamassas enormes esqueletos encorpando,
Realizando ambições de terra que sonha noite e dia.
Olha emigrante,calo a calo e todo o suor consagrado,
Desses corajosos homens, sobre andaimes, se arriscando
Desses obreiros que nos vão novos prédios edificando,
Ou com restauros honrando pergaminhos dum passado.
Vai às rotundas, que compreenderás minha emoção,
– Vai quer com noite iluminada, ou com sol brejeiro –
Que nelas verás entrar indiferente tanto forasteiro,
Para sair com a nossa terra, num cantinho do coração.
Depois calcularás quanto me doerá ser “desterrada”,
Quanto me doerá partir para essa terra prometida...
Que das coisas que mais me vai custar deixar na vida,
É a nossa querida cidade, esta nossa terra amada.
E constatarás que bem mais teria p’ra te contar,
Que terei mil cargas de razão se sentir vaidade,
Porque a nossa terra, está em galopante prosperidade,
Ela é digna de epitetá-la: Bela Musa, de meu poetar!
1991
sábado, 2 de julho de 2011
CINE TEATRO FAMALICENSE - Do livro: "RELANCES DUM OLHAR"
CINE TEATRO FAMALICENSE
Padece o teatro, a tela e a revista
Poe esse velho prédio, derrubado,
E por tal, no terreno baldiado,
Um diferente imoto, futurista.
Porém contradição, tipo imprevista,
O seu começo, torna prorrogado;
E por tal, no terreno baldiado,
Algo belo eis que encanta o naturista:
São dezenas de plumas, altaneiras
Que o vento até faz per'cer bandeiras
E todas duma cor, beje-fulvista;
Sim, esse velho prédio, já morreu
Mas é “Fénix” que em plumas renasceu
E em sonhos, eu entre elas, sou corista.
Padece o teatro, a tela e a revista
Poe esse velho prédio, derrubado,
E por tal, no terreno baldiado,
Um diferente imoto, futurista.
Porém contradição, tipo imprevista,
O seu começo, torna prorrogado;
E por tal, no terreno baldiado,
Algo belo eis que encanta o naturista:
São dezenas de plumas, altaneiras
Que o vento até faz per'cer bandeiras
E todas duma cor, beje-fulvista;
Sim, esse velho prédio, já morreu
Mas é “Fénix” que em plumas renasceu
E em sonhos, eu entre elas, sou corista.
2005
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