quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A (DES)PROTEGIDA - Do livro: "RELANCES DUM OLHAR"

A (DES)PROTEGIDA

É de alguém dependente e medo sente
Que sua alma dorida e tão submissa
Com o tempo, se torne malhadiça
Ficando resignada ou indif’rente...

Tanto cravo lhe enterram e até dente
Levam-na para areia movediça;
Pregam-lhe cada doutrina, cada missa,
Que lhe caem como algo contundente...

E se lhe bate à porta uma alegria
Até julga ser sol de pouca dura,
De acostumada estar, ao céu cinzento;

  "Perante esmola grande, desconfia",
 Diz-lhe a alma - velhinha prematura -
Com lucidez na razão e pensamento!

  

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O CHEFE E A SUBORDINADA - ( O POEMA DA SEMANA- 2011/08/08) Do livro: "RELANCES DUM OLHAR"




O CHEFE E A SUBORDINADA

I
Nutria um sentimento verdadeiro
Por sua subordinada, um magnata,
E muito respeitável cavalheiro.

E ela, então na empresa, ainda novata
Porém bem dominando o seu calvário
Nem era ao seu coração candidata.

Queria sim, ser digna do salário;
E por sê-lo, ao fim do dia, a estafa
Vencia-a e a meio do rosário…
II
Novo dia depois, de escreve / agrafa
Eis que, o chefe põe-na surpreendida
Com um papel, dentro duma garrafa:

Num belo poema, di-la querida
Se pelo afã braçal, de honrosa nota
Também porque no senão, dá saída

E sem mostrar, sem instinto de agiota
Diz-lhe ‘inda que ela ao ano e desde então
Terá percentuais lucros de cota…
III
E a subordinada, com gratidão
No momento de dar-lhe abraço estreito
Então bem melhor lhe ouve o coração.

Parecendo-lhe até saltar do peito.
Um beijo a-dois – selo de juramento
Para união de harmonioso conceito
De em tudo sócios, a cem por cento!



2009


sábado, 6 de agosto de 2011

O CONFRONTADO, ORGULHOSO - Do livro: "RELANCES DUM OLHAR"


O CONFRONTADO, ORGULHOSO


Do seu “rosário”, pensa na enfiada
- Ante uma resistência sacrossanta –
E enquanto seu padecer se agiganta
Mais sua fé caminha para o nada.

Anseia ter de ar fresco uma lufada
Que se sente com “corda” na garganta
E até seu amor-próprio, se ataranta
Lembrando-lhe o sofrer de alma penada...

Mas por nada se quer acobardar
Prefere de mil formas ripostar
Nem que contas acresça a seu “rosário”

Porque crê que uma bem- aventurança,
Cai do Céu; mas às vezes só se alcança
Com choro e com suor lágrimas e suor no sudário!...







Do seu “rosário”, pensa na enfiada
- Ante uma resistência sacrossanta –
E enquanto o seu sofrer, mais se agiganta
Mais sua fé caminha para o nada…

Anseia ter de ar fresco uma lufada
Que se sente com “corda” na garganta;
E até seu amor-próprio, se ataranta
Lembrando-lhe o sofrer de alma penada...

Mas por nada se quer acobardar
Prefere de mil formas ripostar
Nem que contas acresça a seu “rosário”;

Porque crê, que uma bem-aventurança,
Cai do Céu; mas às vezes só se alcança
Com choro e com suor, sobre sudário…

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A DESPRENDIDA - (ENTRE QUINTA E SEXTA- 2011/08/04) Do livro: "RELANCES DUM OLHAR"



A DESPRENDIDA


Nem bem conformada nem esquisita
Saúde é o que mais da vida almeja;
Obrigações, cumpre-as a toda a guita
Amigos? Poucos, e não de sobeja.

Quando parte, o seu lenço lhes agita
E regressar num ar, sempre deseja;
Logo que a saudade em si, espevita
Telefona-lhes, esteja onde esteja!

É das que em vista a afronta ou partida
– Da que no seu carácter, não encaixa –
Jamais quaisquer rancores, amontoa;

Antes absolve e até diz comovida,
Que o perdão, não é coisa que rebaixa,
Mas que eleva grandemente a pessoa!

2009


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

GENTIL-HOMEM, EM FÚRIA Do livro: "RELANCES DUM OLHAR"


GENTIL-HOMEM, EM FÚRIA


Quando a ira o possui, ninguém atende,
Nem parecendo até, um gentil-homem
E quanto mais os males se lhe assomem
Menos fica de si, que o recomende...

Como que a ferro e fogo, se defende
De arbítrios alheios, que o consomem;
Sem chicotes, ou açoites, que o bem domem,
Sem temer lobisomem ou duende.

Faz de sua boca, arma de arremesso,
De ofensivos baldões e de  ameaças,
- Gentil-homem, no polo mais avesso -

Mas quem bem lhe conhece as boas traças,
Conta com o seu ombro - de alto preço -
Logo que caia em si, e em boas graças.

2009

  

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A MOÇA QUE ENQUANTO ESCREVIA, ROÍA… (O POEMA DA SEMANA - 2011/08/01) - Do livro: "PROPENSÕES MUSAIS"


A MOÇA QUE ENQUANTO ESCREVIA, ROÍA…
I
Num computador eu, e noutro ela
Vizinhas num labor, mas eis que arranja
De roer tostas – e em tal fartadela
Que os pobres dos meus  nervos, pôs  em franja…

E a barulheira era tão enfadonha
– Era de tal maneira irreverente –
Que à sua causadora, ganhei  ronha…
II
Parecia um esquilo a roer nozes
Com tostas, e tostas, em seguição;
E eu, sem encontrar benditas vozes
Que chamassem a moça à atenção.

Que gritassem, p’ra seu juízo ausente
Ou ela própria se auto-alertasse
Que ali não se podia dar ao dente…

Daquele seu roer – com ar de gula –
Acreditei-me  até desrespeitada
Mas mesmo a dar por mim, sempre mais fula
Mantive contenção - não disse nada.

E por mais algum tempo ela roendo…
E eu a muito custo suportando;
E por fim o silêncio acontecendo.

2010