segunda-feira, 13 de junho de 2011

FELICIDADE NUM TREVO- 1ª Parte( O POEMA DA SEMANA -2011/06/13) Do livro: "DA RÚSTICA MUSA, QUE PASSA"



FELICIDADE NUM TREVO
I
Talvez eu fosse já supersticiosa
Com esses meus treze anos – dizer devo –
Porque sentia-me algo esperançosa,
De gozar de um futuro cor-de-rosa
Se conseguisse achar um certo trevo.

Por isso de imediato o que é que fiz
Foi tentar encontrá-lo – na verdade
Para a um dado momento – bem feliz
Realmente encontrar o que bem quis
Esse meu verde trevo e em verde idade

E olhei as suas folhas, com enlevo:
– Quatro folhas, que doces ilusões! –
Mas onde irei eu, pôr-te oh lindo trevo,
Que da cor da esperança te descrevo
E com folhas, par’cendo corações.

Para guardar assim tão raro achado
Só num lugar que seja bem seguro;
E o melhor, será em livro fechado
Porque entre suas folhas, és poupado
E então bem resguardado p’ra futuro.

Passei logo da ideia, p’rá  ação
E, entre as folhas dum livro, o trevo pus;
Até porque de mente e coração,
Conservá-lo p’ra sempre era intenção
E se o perdesse o meu triste: ai Jesus.

Então abria o livro, assim servil l
Ante o pensar ainda algo inocente
Se me surgisse o trevo, emoções mil
Que nesse corpo meu, ‘inda infantil
Tinha meu coração, de adulta gente.
 II
Os anos por mim lá iam passando
E grandes ilusões em paralelo
Com esse meu tal trevo, a cor mudando,
De verde, acastanhado então ficando,
Até acabar seco e amarelo.

E eis que peguei em trevo tão querido,
Lançando-lhe um olhar feito de mel,
Além de em folha a folha ter mexido
E acabando a honrar o meu ouvido
Um som bem similar ao do papel!  

Pensei que papel sendo, realmente
Eu poderia dar-lhe mais valor,
Se em cada folha, a tinta permanente
Deixasse escrito e bem visivelmente,
As letras da expressão - tão linda -­: AMOR!

E assim às suas quatro folhas, devo
Ter tão bela palavra, escrito – à mão –
Que com tal acrescência, esse meu trevo,
Evidenciou em si, dobrado enlevo,
Causando-me no olhar, mais emoção.
  
PAUSA

Sem comentários:

Enviar um comentário